O mal que faz ter alguém “mal resolvido” em cargo de chefia

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Uma empresa basicamente possui três estruturas: os executores diretos, os chefes e os que pensam a empresa como um todo dando a ela as direções gestacionais que possui. As pessoas do escalão supremo raramente mantém contato com quem está no escalão dos executores diretos. Essa mediação é feita pelos chefes, que são os responsáveis por levar e trazer demandas entre ambos os escalões.

Os chefes têm a obrigação de verificar se o que o escalão superior estabeleceu como meta de realização está sendo levado à cabo e também entender porque não está dando certo. Acontece que pode haver seres humanos mal resolvidos nos três escalões. Contudo, o maior risco é ter uma como chefe, pois eles podem deixar com que sua toxidade pessoal influa no seu modo de agir e acabe por gerar situações desconfortáveis que podem, como dizem especialistas, até adoecer emocionalmente os demais colegas de trabalho.

Os chefes podem vir a agir de forma autoritária e dar a entender que possuem autonomia para agir daquela forma, e isto leva os subordinados à um estado de maledicência, fazendo-os a falar mal da empresa e desencadear um espírito de negativismo que se coletiviza e causa grandes males no ambiente. Agindo assim, um chefe pode interconectar a si pessoas mal resolvidas – não são os opostos que se atraem, como se convencionou pensar – que tentam se afirmar de uma forma errada: normalmente se juntam e formam um grupo que começa a destoar do outro grupo e passam a levar “fofocas” ao chefe para ficarem “bem” aos seus “olhos”, e aí o caos estará instalado.

Os chefes mal resolvidos podem afetar negativamente a “visão” que seus superiores possuem em relação à empresa. Eles podem “queimar” pessoas provocando até mesmo demissões que seriam desnecessárias, não fosse o caos que eles mesmos (os chefes mal resolvidos) criaram com seu modo equivocado de proceder. Afinal de contas, de que vivem as pessoas mal resolvidas? Elas vivem do caos, de ocasionar discórdias não sadias, de maledicências etc.

Este é o campo em que elas atuam bem, pois os demais envolvidos estarão fora de seu estado normal, que é o da rotina, da tranquilidade, e aí se tornam suscetíveis a derrotas nesse jogo da autoafirmação que os mal resolvidos jogam. Um chefe mal resolvido tenta subordinas as pessoas a si ao invés de leva-las a se integrar à cultura da empresa, ou seja, ele trabalha para si mesmo.

*Soluções*

Uma das soluções é criar na empresa uma cultura de não caos, criando mecanismos para barrar o surgimento de um. Outra solução é nomear como chefe pessoas que não sejam mal resolvidas, e não é muito difícil identifica-las, pois elas pensam e agem como se soubessem de tudo, pensam ter solução para tudo, apreciam muito a arte de “puxar-saco”/bajular/ser demagógicas, ou seja, agem pouco em consonância com a realidade e muito em função do irreal preso à sua frustração pessoal de não terem se aceitado ainda.

Uma solução importante e que acaba por contribuir com os colaboradores de um modo geral, é promover palestras e incentivar a busca do autoconhecimento por cada um dos colaboradores para que saibam quem são, como agem, porque agem de tal e tal forma, afim de que possam evoluir para um estado de maturidade em seu estado de humanidade e também de atuação profissional. Outra sugestão é criar a cultura de facilitação nas inter-relações entre os componentes dos três escalões, estabelecendo uma convivência horizontalizada de uma forma que a ordem hierárquica não seja perdida, mas respeitada pela conquista daqueles que a exercem.

*(Fernando Pereira – jornalista e acadêmico do curso de marketing pela UNICESUMAR)*

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